segunda-feira, 21 de julho de 2008

Hipocrisia (Soneto “negro”...)

Gargalha a morte ao tempo e no espaço.
Ondas devastam edificações,
travam nos peitos e nos corações,
dissecam pessoas, rompem-se laços…


Vagam nas lembranças: - tristes canções,
restos de um velho país aos pedaços:
- cataclismo, sangue, dor, estilhaços,
(sobreviventes gemem nos porões!)


Nos “fortes”, tolice, Leis esquecidas,
“roncam nas eiras os bravos tufões!”
(À sombra do medo, parafasia…)


Pequenos morrem nas vagas perdidas;
Luz atômica: - Loucas podridões:
- Por isso o mundo acabará um dia!…
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MÁRIO VIGNA

Chorei

Chorei…
Ao ver tantos olhares aguados
nas ovelhas gemendo aos prantos
debaixo de jugo e fardo pesado.

Para que tanto tropeço ao evangelho?
tanto tormento?
tanto sofrimento?

Chorei…
Ao ver atrás dos púlpitos,
lobos sem escrúpulos
prometendo o que não podem dar.

Chorei…
Ao ver um povo fraco
clamando por socorro
mergulhado em dor.

Esta a razão de eu,
simples poeta
declarar meu protesto
expondo a verdade
das Escrituras Sagradas:
- minh’alma então se acalma.

Foi Deus
que me mostrou a verdade,
que venha a verdade,
o amor ágape e choro verdadeiro,
que caia a tradição oral,
que renasça a tradição escrita!

Que venha sobre todos nós o Cristo,
a liberdade, a plenitude da Graça!

Foi Deus
Que deu vida aos homens,
perfume às flores,
que fez rasgar o primeiro raio no horizonte…
Que faz brotar água no alto dos montes
e no fundo dos mares;
que criou o ouro,
a prata, o bronze, e o ferro…

Foi Deus
Que pôs em meu peito
um coração que pulsa,
que pôs estrelas no céu
e o estendeu ao infinito,
que deu curso natural ao mundo
e rumo ao circuito dos ventos.

Foi Deus,
Foi Jesus
Que morreu na cruz
por amor a você e a mim…

Se escrevo isso
é porque vejo razão,
enxergo propósito
em toda complexa criação…

Corre o riacho
desce a água fria
entre as ramagens,
o vento acaricia
as folhas das árvores,
- o leão ruge na mata…

Foi Deus
não há por mais
que o homem tente explicar
a existência do mundo
outra explicação racional…

Com temor
sei que escrevendo
e assim me expondo
exclamo sem medo:

Jesus chegou,
- A lei passou!
Acorda legalista segado!
O modelo sob ordenanças
não é eficaz, não funcionou!

Sentimento profundo
pranto no rosto,
o medo estampado,
o medo do não toque,
o medo do não prove,
o medo da vida,
O temor na guarda de costumes
E no uso de vestes
o medo da morte.

Ao ver o caos no mundo
e ouvir o homem dizer:
Está tudo se cumprindo,
é o plano de Deus!
Fico indignado!

O que sei é,
que se há um culpado,
esse, é o próprio ser humano.

Não foi Deus
A bala perdida que matou
a menina de 12 anos…

Não foi Deus
que transformou o mundo num caos…
A predestinação é um absurdo!

Foi Deus
que criou o homem,
mas o homem,
em seu livre arbítrio
é que escolheu o mau…
o homem tem capacidade
dada por Deus para escolher
entre o bem e o mal...

Foi Deus
que pôs no campo
o jasmim,
criou e formou todo esse mundo,
e que no tempo de Sua visitação,
trará o seu prometido fim…

Temos que parar de culpar Deus,
omitindo-nos da responsabilidade…
e reconhecer o que é Deus
e o que não é…

É Deus,
o soberano,
O princípio e o fim!

(Cesar) Mário Vigna - 2007

O pão de Cada Dia

por Ariovaldo Ramos


Quero de tudo que o poder traz,
Mas, se cada dia tem o seu mal...
Que venha só minha porção de sal;
Deve ser este o preço da paz.

Eu não sei, de fato, do que preciso:
Eu quero o mundo; quero o fundo;
Só me vejo num devaneio rotundo;
Tento, mas, não consigo ser conciso.

Eu busco alguém que me direcione,
Que me diga o que me impulsione.
Senhor! No meu lugar, o que faria?

Não liga para a minha loucura...
E para me livrar dessa tortura,
Que só seja o pão de cada dia.